O que a memória me traz é um passado que nunca vem e um medo insuportável da repetição.
aquarela
gostaria de ver para lá do que os meus olhos vêem.
gostaria de sentir a cor das almas.
de ter em mim uma janela com vista para dentro.
toda branca e infinita para colorir
e montanhas de guaches faber-castell novinhos em folha.
pintar uma aquarela leve como o amor.
e o amor?
passa o seu fôlego sobre o nada.
a este sopro fez do nada o verbo amar.
liberte-se o amor.
que não fique apenas o verbo.
permaneçam os sorrisos livres.
o amor não se preocupa com os muros que o abrigam
nem com os abalos de quem o fez tremer.
sabe-se ventura.
surpreende o mundo novo.
e prossegue como se fosse o único.
sem palavras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário