
O que a memória me traz é um passado que nunca vem e um medo insuportável da repetição.


por entre o cerco dos teus dedos
que devagarinho vou caindo
na areia que te cobre
__________e desnuda os pés
não vês que sou apenas gota
num oceano imenso
de encanto
e que vou evaporando
junto-me ao ar que exalas
não vês que sou apenas tinta
branca
nessa paleta que guardas
incompleta
e vou pingando
______pingando
sobre as tuas mãos
______não vês que me faltas
tu
para me preencher as retinas
com seu corpo de mulher
mar imenso
de emoções transbordante
que explode de sentimento
____________rubro por ti
não vês que és a essência
_____________de mim

Não sei quantos membros há em mim!
De dia para dia mudo,
Nunca me reconhecendo,
Talvez não saiba quem já fui.
De tanto mudar nada tenho,
De tanto variar nada me resta.
Um corpo, uma mente, uma alma??
Nada sei... resta-me a calma...
Assisto ao desespero do poeta,
Moldo-me em torno deles,
É o fim do sonho teu
Que por capricho em mim cresceu.
Sou o espelho daquilo que sou,
Ambíguo, confuso, sonhador.
Nada temo, nada sofro,
Não sei quem sou, não imagino onde estou.
Abstenho-me de ti
Da tua insignificância pertubadora
O que se segue é incerto,
O que se passou é esquecimento...
O presente é meu...
Disfruta-me!

Já eu abria sutilmente o olho e deliciava tudo à minha volta! Eram incertezas de olhares discretos, Onde o esquecimento das palavras e o cheiro das sílabas permaneciam em mim. E esperei... esperei no local onde a brisa soprava em ti. Tornando-me teu, num beijo nosso. Permanecemos na nossa realidade desfocada de preconceito, Onde nos tornamos únicos dentro da diversidade, Simples e diferentes, como o sabemos ser. Já não quero pensar, já não quero dizer...


Já esqueci as horas que teimam em passar silenciosamente
O tempo escapa devagar entre as minhas mãos
Aliás, nunca existiu
Equivoquei-me e fiz-te acreditar.
Preciso de sepultar todo este sofrimento que me consome
Mesmo não sabendo a sua origem,
O processo de insanidade torna-se constante
Asfixia-me até o sentir me abandonar
E consiga levitar ao ponto de tocar o imaginário, o impossível.
As palavras perdem sentido neste momento
Só a alteza de uma força alcança esse sentido perdido,
Esse suspiro deslocado.
Finjo não sentir a dor deste sofrimento
Que se torna arrebatadora e assassina
Temendo perder o controlo da tua asfixia cínica e dissimulada.
Asfixia... submerge-me, verte e submete!

Por mais que a vida nos prenda com força eu quero o incerto, preciso de perder todos os planos que cuidadosamente defino dia após dia. Quero acordar e sentir que não encontro rumo, pois alguém espontaneamente retirou-me tudo aquilo a que tenho direito sem se preocupar com o meu sentir.
Seria fantástico acordar no escuro e sentir uma cegueira penetrar em mim, sentir a fina linha que delicadamente sustenta a minha pessoa prestes a rebentar e mesmo assim avançar rumo ao incerto...
Quero trocar o certo pelo incerto, o seguro pelo inseguro, quero viver a rotina deslocada que paralelamente me acompanha sem nunca ter ousado invadir o seu espaço. Quero enfrentar de frente essa vida que nos prende e impede de avançar, quero sentir-me único, original, inovador para mais tarde sentires a minha necessidade.

Mente!
Diz que o mundo vai acabar amanhã,
que o céu irá cair na minha cabeça!
Diz tudo o que queiras
mas não me esqueças,
não te percas de mim,
não finjas que já não te lembras.
Aperta meu sufoco
dizendo que o sonho
transforma-se em belos pesadelos
e que as cores enganam
as nossas percepções,
mas não me digas
que a fuga se torna
no caminho a seguir.
Mente, disfarça, finge...
Assusta-me!
Disfarça, se esconda
no local menos provável
onde a tua voz se faça sentir
onde quer que esteja.
Coloca diferentes máscaras,
mas segue-me,
faz sentir a tua presença,
aumenta o meu desejo
de te ter em círculos simples.
Não percorras
este caminho sozinha,
quero ficar a teu lado,
apoiar a lucidez aterradora
de fatos perdidos...
em tempos passados.
Walking alone...
que te direi amanhã
O que não disse hoje.
Ou talvez não.
As palavras são entre nós
Desnecessárias.
Não importa a hora
Mas o tempo das coisas.
Porque o silêncio
É um oceano de palavras
Que escrevo
uma a uma
No teu olhar.
Depois...
Quero reter
numa câmera
todos os teus gestos,
Gravar
todas as palavras
que disseste
E o ritmo
do teu coração
quando estavas
em meus braços.
Gostaria de encerrar
num frasco
o cheiro
que me deixaste
na pele.
Quero que não passe
o pequeno ardor
na minha face
E o teu sabor
nos meus lábios,
Não quero lavar
os teus rastros
do meu corpo.
Quero guardar em mim,
o que fomos...
o novo instante que me guia, vem da pura sintonia, o olhar imaginado na busca de um futuro melhor que o passado, não por frescura ou arrependimento, mas pela busca de um novo belo momento. a equivalência estampada na diferença, a lei dos opostos na luta pela sobrevivência, cada detalhe de tua história é combustivel para meus dias de glória.
a volta, o tempo.
o hoje “imensidado” de saudade, o minuto vivido com vontade, a presença de uma chance, peças fundamentais para o próximo lance. vejo nas nuvens inigualáveis de meus sonhos a verdade mais próxima daquilo o que somos. vejo um hoje parado no passado enterrado, enfeitado com o que houve de melhor, cada vez mais na chance de uma distância menor.
a volta, a vida.
a dança da eternidade saboreia o sabor da amizade. sei dos erros, sei da preguiça, posso errar teus desejos pra acertar a vida. sei da luta, sei da garra, sei do desapego, sei da falha… e sei imaginar saber o que pode vir a acontecer… o perfume do último beijo ainda encanta detalhes que vejo… o tom da última palavra ilumina de volta a minha caminhada…





