inspire


Me chame novamente, amor.
Me ligue de madrugada, de novo;
quero você às 4h.
Retrospectiva emotiva do meu “não”
no seu ouvido enquanto você diria sim
para minhas lamúrias, sim, meu amor!
Quero só você soprando
as minhas inspirações no meu rosto,
que hoje sente essa brisa fraca
corar minhas bochechas de frio.
O seu frio, que me atinge,
e me esquenta de raiva
por não poder tocá-la.
Sim, meu amor.
Meu anjo sem asas que eu nunca vi,
nem verei, nem sonho,
mas que me dizem: Sim, existe!
Quem existe amor?
Você inexiste em meus poemas
porque não sei sua forma?
Porque não sei quem és?
Porque minhas falsas inspirações
arcaicas inexplicáveis?
Me inspire de novo brisa.
Brisa.
Ventania novamente em meu rosto,
sim!
Meu teto desabando em meu rosto.
Sinto sua poeira em minhas narinas
me asfixiando.
Sua poeira de raiva em mim!
Não!
Hoje eu levanto,
olho para o meu lado,
meu travesseiro me incomoda,
meus dedos estão ávidos!
Meus olhos agora estão atentos,
minhas pupilas dilatam,
sei sua roupa,
seu cheiro!
Hoje eu sou feliz.

Prazer meu nome é Jorge!


Cansei de ser rotulado,

cansei de ser tratado

como um produto

com seu código de barra.

Eu não sou igual a ninguém,

na verdade eu não sou igual todo dia,

eu mudo constantemente.

Prazer meu nome é Jorge!

Jorge hoje,

amanhã posso ser fulano

e quem sabe até ciclano?

E você é quem?

Só mais uma máquina de falar

que não para de encher meu saco?

Tem dia que a gente acorda com a macaca,

todo mundo tem seu dia

para mandar a porra toda

para a puta que o pariu,

pois é,

hoje o felizardo sou eu.

Porque você não para

de destilar veneno contra mim

e me deixa ser assim só por hoje?

Como já disse,

amanhã eu mudo,

amanhã sou outra pessoa,

quem sabe sou até quem você deseja,

as vezes até posso ser seu príncipe encantado

Mas hoje é meu dia de ser o vilão,

não o seu vilão, mas o vilão da própria vida.

Chega cansei de ser eu,

deixa eu ser nós,

entenda que as vezes preciso ser nós

em vez de ser eu,

afinal eu nunca sou o mesmo,

a cada dia estou mudando.

Prazer meu nome é nós!

Nós hoje, amanhã quem sabe

posso não ser eu de novo!?

eternidade


Sonhos de uma alma possuída são meus sonhos ou de outra pessoa?Estou acorrentado, preso no tempo como uma foto eternizada.Escuto que “o escrever é uma forma de paralisar o tempo para uma melhor compreensão do que foi dito”.Até onde isso é verdade?Será que é?Se for será que quero viver escravizado com o que eu disse?Escrever é perigoso, “um homem não se banha duas vezes na mesma água de um rio”, ele está em constante evolução, se o homem não mudou, o rio eternamente inconstante não para de evoluir, não para de modificar o ambiente em que esta presente, não para de querer transformar, progredir.Será que devo escrever, ou seria melhor não escrever nunca e sempre evoluir, não correndo o risco de ficar estacionado no tempo?Escrever me deixa fadigado de alivio, é por isso que quero para sempre viver em um porta retrato, para que todos olhem e veja a pessoa que eternizou aquelas palavras já ditas outrora por algum sábio que não quis escrever.Já dizia o grande mestre chinês: “não há nada dito nesse mundo que nunca foi falado por um sábio grego ou um pensador romano”, a questão sempre é, o que não foi escrito pode ser eternizado por mim?

me adapto



Minhas costas doem de pesar

Meus cães latem nos meus tímpanos,

fazendo-os transbordar de desespero

Me ajudem

Preguem-me em um rio de luz

Que me ilumine

Que me sangraria

Meu nome é Tiro

Não acerto

Meu nome é Grito

Não me ouvem

Me larga e tire sua falsidade

de cima dos meus ombros

Tire da minha língua esse seu gosto

Meu nome é Sangue

Meu nome é Dor

Não tenho nome

e me adapto ao que convir

Não gritem meu nome

pois agora quero esquece-lo

Minhas mãos doem de socá-lo.

encruzilhada

Chego ao meio de uma estrada deserta,
desamparado, precisando de ajuda,
olhando para os dois lados,
procuro enxergar o que esta no final de cada um,
e como se não bastasse vejo outra encruzilhada
nesta encruzilhada que me encontro.
É perigoso escolher sem precaução,
posso acabar num beco sem saída,
como se eu tivesse saída para sair do buraco
em que meu beijo “lamentante”
não consegue te fazer sentir meus lábios.
Fico atormentado, tão doente com a idéia
de tentar olhar adiante e saber
o que está me esperando.
Traiçoeiramente.
Com precaução
Em silencio
Escolho um caminho
Será que escolhi o certo?
Será esta minha salvação?
Será essa a rota do meu destino?
Perguntas que ecoam na minha mente!
No fundo sei qual caminho escolhi,
só temi o meu final.
Devo decidir agora!

para sempre


Não consigo respirar, preciso de ajuda para sair desse poço que me afunda aos poucos, lágrimas de um coração ferido me fazem perder todos os sentidos existentes dentro de mim.A dor que me queima é a dor de ficar longe do meu amor, preciso saber que você esta bem, minha felicidade é ver sua felicidade, preciso ver você sorrindo, você nasceu para sorrir.Queria retratar seu coração com a imagem mais linda existente, queria te mostrar as maravilhas que é te amar, e como me sinto podre quando te faço chorar, sofrer.Preciso exclamar todo meu sentimento por você, preciso sentar na minha prisão colorida e te dizer como me sinto quando estou do seu lado.Desenhar desenhos nossos brincando e sorrindo, espiar por traz da fechadura nossos labios se tocando!“Foge o sono na madrugada, ante a luz do computador, medo tenho eu não vou mentir, mais os velhos passos eu não vou seguir.”Sinto não estar do seu lado quando eu queria mesmo era estar colado em você, te deixo agora para que no futuro possamos ser um.Vai e busca longe de mim sua felicidade, vai e busca seu arpoador, seu farol, mesmo que não nos encontremos, estarei sempre aqui pensando em como é bom ter você pra sempre no meu coração, pra sempre na minha alma, gravei seu nome nela.Sentarei na barriga lunar e pescarei estrelas cadentes para te presentear.Tomarei emprestado os aneis de Saturno e colocarei em sua mão esquerda, você não merece menos.Despirei as flores do campo e bordarei o vestido mais lindo com o aroma mais suave para você vestir! Preciso te dizer mesmo que você não saiba, você é, foi e vai ser sempre o meu Para Sempre.

via de regra


Leve, como pluma.

Pesado, como eu,

sorrateiro, passo meus dias passando,

meio como um rastro,

atravessando as horas,

para que elas se extinguam e,

após, recomecem.

De novo.

E de novo.

Tento, então, disfarçar essas horas

para que elas não pareçam picaretas demais,

vamos combinar.

Elas se repetem, dia após dia,

e minhas lembranças são sempre repetidas,

já que vejo a mesma coisa.

Tudo é uma cópia, da cópia, da cópia,

como disse o outro.

Em minhas viagens sou algum outro,

feliz por inteiro,

sem problemas mundanos,

com preocupações banais,

como os meus problemas,

banais e inintendíveis para os alheios.

Nada importa para nada,

tem efeito ou faz diferença.

Sonhos de criança

de ser um diferente se esvairaram.

Não sou um diferente.

Sou um.

Hoje, apenas mais um.

despedida


Não sou mais quem eu era antes.

Não quero mais antes.

Quero mais agora.

Não tenho mais a inspiração de antes

Agora, eu sou a inspiração

Agora, não sei mais por onde começar

nem por onde terminar

Agora, não quero receber mensagens alegres

que me coloquem pra cima,

não quero receber mensagens

enaltecendo algo que não sou.

Não quero receber mensagens

que dêem a falsa impressão de como estou.

Já estou aqui em cima
e quero puxar todos para cima comigo

Agora não sou mais o poeta de antes,

de agora e de depois

Agora, eu sou mais eu,

pois minha felicidade mora comigo.

Agora sou mais eu sem nada

Agora não há mais inspiração.

Agora há realidade,

e na realidade não há espaço

para poesia ou palavras bonitas.

Na realidade não há espaço para versos,

choros e tristezas.

Agora, na minha realidade,

preciso de mim mais do que nunca,

e não de ninguém mais.

Agora, tenho que ser mais feliz do que nunca,

pois só assim minha realidade será completa.

Na realidade não há espaço para o poeta.

O poeta não escreve mais.

A sua inspiração tem que ser transformada em realidade.

sem




Sem ter tido vi meu melhor sorriso desabrochar,


sem ter visto senti meu coração pulsar.


Sem ter tido sonhei por sonhar,


sem ter sido fui um fantasma a passar.


Sem ter crido desandei em pensar,


sem sentido cansei de murmurar.


Sem sentido comecei a andar,


sem meu fôlego um balão a voar.


Sem meu rumo começo a pensar,


sem meu tido começo a chorar.


Sem promessas me ponho a caçar,


te olho nos olhos por onde começar?


Sem medida luto em alcançar,


sem minha cura poesias ao ar.


Sem o sol arco íris para brincar,


sem anzol o que vou pescar?


Sem lençol vivo a deitar,


descalço me ponho a cavar.


Sem formol um cheiro a agüentar,


sem minhas rimas um cristal a buscar.


Sem ter tido a luneta estelar,


sem ter visto a chuva me molhar.


Sem caminho me pus a orar,


sem palavras uma historia a contar.


Sem ter tido tive momentos inexplicáveis,


sentimentos inesquecíveis, circunstancias arrebatadoras.

eis me Rayane...

eu me perco em conceitos .
muitas vezes vejo me criança, mas eis me Rayane...
sou muito mais corajosa que a criança-menina,
outras muito mais fraca que a mulher-criança.
esqueço de mim,
se sou para os outros o que esperava ser,
sem ao menos saber o que realmente sou.
criança madura.
mulher infantil.
no quarto, escrevo estórias a giz,

nas paredes, com os dedos dos pés
e dou por mim a rir
como se me fizessem cócegas na alma dolorida.
invento palavras que até me esqueço
da esperança, sabe-se lá de onde....
cada canto lá em casa,

conta um pedaço da minha vida.
mas nenhum, ou todos eles, sei lá...
revelam que também eu já fui menina
com sonhos e mágoas.
para que serve o amontoado
de livros que as estantes carregam?
talvez para me lembrar que existo.
mas é certo que vivem.
comigo.
porque a vida não é construída
diariamente só de boas coisas,
bons pensamentos e bons sentimentos.

idéias


dormir.
antes de dormir
tento imaginar que minha cama não é tão grande
que só cabe uma respiração.
às vezes espero que fique pequena
o suficiente.
ideia fixa.
engraçado é como uma ideia fixa,
pode mudar a vida
ou o modo como a vejo.
para que a falta que sinto
seja dividida por dois
e não acumulada tão grande dentro de mim.
sim.
conheço o sim
o tom da verdade nas horas
que vêm de trás
de tudo de mal que possa haver.
o importante é a vontade
é ouvir
mesmo o que não se quer.
é a palavra certa,das pessoas certas
apesar de todo o resto.
e fazer o que tem de ser feito.

Eu sei



Eu sei
Eu sei que vivo e
porque sei que vivo
acredito.

Eu sei
Eu sei que tenho medo do escuro e
porque sei que tenho medo do escuro
apaguei as luzes.

Eu sei
Eu sei que existem farsas e
porque sei que existem farsas
luto.

Eu sei
Eu sei que sabia e
porque sei que sabia
não sabia de nada.

Eu sei
Eu sei que vou morrer e
porque sei que vou morrer
desprezo os abismos.

aquarela


gostaria de ver para lá do que os meus olhos vêem.
gostaria de sentir a cor das almas.
de ter em mim uma janela com vista para dentro.

toda branca e infinita para colorir
e montanhas de guaches faber-castell novinhos em folha.
pintar uma aquarela leve como o amor.
e o amor?

passa o seu fôlego sobre o nada.
a este sopro fez do nada o verbo amar.
liberte-se o amor.
que não fique apenas o verbo.
permaneçam os sorrisos livres.
o amor não se preocupa com os muros que o abrigam
nem com os abalos de quem o fez tremer.
sabe-se ventura.
surpreende o mundo novo.
e prossegue como se fosse o único.
sem palavras.


antes que me gritem, grito eu!

olhos nos olhos.
um brilho a queimar a alma.
sem palavras.
intensos instantes acontecem.
tantas e tantas vezes a morder o lábio.
como quem faz dele culpado dos meus males.
até que dou conta de que tenho desejos.
ao sentir o sangue quente na lingua.
sei o que quero.
ver a lua transformar se em sol.
ardente.
à meia noite.
e acreditar que tudo é verdade.
dizem me que é loucura sentir o que sinto.
mas não, loucura é nada sentir.
antes que me gritem
grito eu!

essência


De onde essa leveza flutuante

que toma conta da minha mão?

De onde essa vigília

que toma conta do meu coração?

De onde essa alma amante

que toma conta do meu ser?

De onde essa explosão

de palavras

vida

paz

capazes de gerarem amor

e ódio?

Amor,

qual os segredos dos meus dias

que torna o inferno em paraíso?

Vem...

da essência

da paz,

escondida

na luz

do teu olhar.

teus olhos


A vontade que tenho

fulmina esse vazio.

Mergulhado em dúvidas,

tentando me desvendar,

no mistério

que me prende ao seu olhar.

Sou o resumo

do pavor do alento

pedaços de sentimentos


medonhos,


sentinelas efêmeras

de inexoráveis sonhos.

Sim, tenho vontade,

de somar meus verbos

neste vazio

que arde em incertezas.

Ao sentir doce fragrância,

perco-me em lágrimas.

Quem me guia

na luz do teu olhar?

enganos


Lamento

a saudade chorada

como lâminas ferindo a alma.

Dou uma gargalhada,

trancada entre os lábios,

ao relembrar

tuas mentiras de amor

que se esvaíram

no frio pálido da noite.

Engulo as lágrimas

como gotas de orvalho,

entre orgasmos

cheio de afetos

e desafetos!

Nesse desassossego

descanso,consumido pela euforia,

inebriado,suspiro e acalmo...

sentidos


se te peço
...estou almeijando.

se te beijo
...estou desejando.

se te toco
...estou insinuando.

se te olho
...estou provocando.

mas, se calo
...estou implorando,

...estou invocando,

...querendo mais,

...cada vez mais,

sempre mais...

recordação




Hoje, por acaso,


em pensamentos,


embalei-me de lembranças.


Senti o perigo


das brisas antigas


recordando o amor,


nossas cantigas!


Consumido por soluços


perdi-me em desilusões


A vida perdeu o sentido.


Mas seu amor


dava-me vida,


com beijos que me possuíam.


Cada olhar parecia uma eternidade.


Agora...


tenho apenas essa saudade...

eu sou um menino


eu sou um menino.
um menino que chora mas também ri.
que grita e também faz silêncio.
que está em pedaços ou inteiro.
um menino que cai.
e como uma mola se levanta.
que não consegue.
mais vai e tenta outra vez.
eu sou um menino.
um menino que acorda todos os dias.
sonha com a realidade.
voa.
um menino que faz tudo estranho.
e igual.
renasce e recria no silêncio.
compreender me para quê?
o sangue escorre.
o amor também.
escrevo.
leio.
canso me.
trabalho.
penso de mais.
quero de menos.
mas o quê?
nada de mais.
tudo de menos.
gostava de ser.
um grande menino pequeno.
para isso precisava.
de gostar mais de mim.
ter olhos brilhantes.
riso descontrolado.
chorar para limpar a alma.
irra!
preciso de aprender a dizer:
"Eu quero mais".
eu sou um menino.
que gostava de ser.
um grande menino pequeno.
para isso vou lutar por ter.
uma história para contar.
uma tela a pintar.
um coração a bater.
um sorriso para dar.
uma lágrima que cai.
uma estranha a conhecer.
amigos.
uma familia que ama.
mas o menino pequeno.
para ser grande.
precisa também de ter.
um buraco para se esconder.
agora eu tenho.
o depois de amanhã.
o hoje já se foi.
o meu tempo já teve vez.
eu tenho uma vida para viver...
"Eu quero mais".

tic tac




eu...

será que amo?
sinto raiva?
rio ?
choro ?
penso?
desejo?
eu...

tenho medo ?
sinto me sem rumo ?
passo o tempo a adiar a felicidade ?

eu...

e os meus sentimentos ?
será que ponho debaixo do tapete as angustias ?

será que ignoro os momentos bons?

o meu tic tac
consome o eu.

o eu que ainda tenho.

será que sei o que me faz feliz ?
prefiro ouvir ?
ou falar?
eu...
a querer mudar e a não conseguir
ser de outra maneira.

eu...
a certeza de que devo arriscar...
a dúvida se será
sempre assim a minha vida .

o meu tic tac
consome o eu.
o eu que ainda tenho.

incertezas...
certezas...

tic-tac,
tic-tac,

o tempo não para...

tic-tac,
tic-tac,
o tempo não para...

eu...

tenho que ser feliz
entre as brechas do tempo...
terei tempo ?
o meu tic tac
consome o eu.

o eu que ainda tenho.

porque deixo de ir,
porque os dias se sucedem,
porque volto,
porque tenho surpresas tristes,
porque sinto,
porque não tenho intenção
de me magoar.

Preciso gritar silêncio


Nem tudo é um turbilhão de emoções, uma exposição das sensações , monólogos sem fim ou enxurrada de palavras desenfreadas. Às vezes é preciso abrir o coração porque a linguagem da mente , que prefere o racional, o útil e o seguro,entra em conflito com a linguagem do coração impedindo o «eu» de seguir a sua intuição, o que o vai fazer realmente feliz. A dita linguagem do coração é difícil por causa do medo de se ser rejeitado, de se ser abandonado, de se ser excluido.No entanto, quem ouve sabe que no futuro, alguém estará presente para ouvir e falar na mesma linguagem e com a mesma disponibilidade.É preciso semear para colher. Silêncio…Há silêncios que criam abismos. Nascem de palavras que não foram ditas e ou que foram ditas a mais no entoar de um desentendimento. As palavras ficam encarceradas na nossa memória com uma lança.Dúvidas e desconfianças. Atiram-se de cabeça nos precipícios da suspeita e da descrença. Instalam-se na mente em surdina. O silêncio fica a pairar duvidoso. Começam a construir se os muros. Há muros que caem do nascer de palavras de diálogo e compreensão. Há palavras que andam e se aproximam, que vão diminuindo a altura dos muros; palavras que unem o que o silêncio afastou. Há alturas em que nos sentimos sós no resto do mundo. Entregues a nós mesmos, fosse igual a ficar fechado num quarto escuro, com o "bicho papão" de todos os tempos. Não é o não se ter ninguém por perto que perturba, é o ficar-se entregue aos próprios pensamentos aterradores! Depois, a sociedade impõe que se tenha alguém à força e que se tenha filhos, mesmo se muitos homens e sim, muitas mulheres, não tenham o mínimo instinto paternal e maternal.Parece que é obrigatório sermos iguais e não sermos responsáveis da própria liberdade. O problema é quando a solidão pesa. Fugimos do silêncio como o rato do gato. Ocupamo-nos com múltiplas atividades, enchemos o tempo com encontros e telefonemas e evitamos ao máximo aquele momento em que ficamos de novo em casa sem ninguém, entregues ao vazio do eu. Porque sim, é disso que se trata, encarar o vazio de si mesmo a pensar que somos inúteis.Ficamos a pensar no que não se teve e o que se poderia ter dito e feito e ficamos sempre a perder. Nós somos o que pensamos.Os outros não servem para preencher as nossas carências. Somos os próprios curandeiros afetivos, lamber as feridas, e nós é que temos de curar as nossas dores profundas e aprendermos a prencher o vazio, só assim é que podemos atrair alguém na nossa vida, por nós e não para encher o vazio e o silêncio... Por isso é preciso parar, pensar, ver com olhos de ver quem queremos perto de nós.Não para preencher o vazio, mas porque é bom estarmos rodeados de quem gostamos. Silêncio…Há silêncio que criam abismos. Se ao menos pudesse ver nos teus olhos as palavras que ficaram por dizer… Acredito no dia em que a vontade ou o acaso crie um reencontro inesperado e os olhares se percebam…Não há ninguém perfeito... palavras que não serão ditas que são entendidas, olhares que se cruzam e que comunicam, pensamentos que ocorrem em situações semelhantes.


Preciso gritar silêncio!!!
(parece sem nexo este texto, assim vindo do nada, acreditem em mim... Faz todo o sentido....)

vinho


silêncio.

na mesa uma quietude.

triste e frouxa.

o primeiro copo bebido foi de cerveja.

uma espécie de cimento fresco

para o ardor de quem gosta de vinho. saí.

está tudo muito cheio. de gente. de vazio.

o ar não se respira.

nas mesas, o vinho tinto encorpado

é de um escuro sólido.

o vinho branco cristal na transparência verde da uva.

a água, essa condensava, sem piedade e pesada.

lá fora corre o tempo de um outro mundo.

um mundo que não quero meu.

daqui onde estou vejo olhares vagos. não há sorrisos.

as bocas não têm expressão nenhuma.

os gestos são cenas do cinema mudo.

fazem-se movimentos com os lábios.

pessoas abrem os braços. asas inúteis para voar.

vejo o silêncio. incolor. vou para casa.

na minha sala abro uma garrafa de bom ano.

pego na rolha de cortiça e levo ao nariz a sentir o vinho.

tinto. sinto o aroma azedo de madeira molhada.

uma cor rubi corpo redondo

consistência aveludada na boca.

pela maciez e suavidade,

diria que fora convenientemente envelhecido.

guloso. belissimo. os meus olhos brilham.

um abrir-e-fechar de olhos.

e bebo.

bebo, bebo,

bebo...

agora sim consigo ouvir me respirar. bebo.

confiar no acaso




queria palavras
para fazer explodir o infinito.


não sinto a luz.


os sentidos faltam,


não permitindo o beijo


na cor das folhas caídas deste outono.


não sinto doce há tanto tempo...


falta razão.


sinto a loucura,


tateio a vida,


tropeço em erros,


desfaço sonhos


e escorrego em ilusões


...às vezes.


a sensibilidade não me foge


mas me queimo


com ferro quente


apanho rosas
arranhando os espinhos.


um dia furo e sigo.
...erro.


sei, a minha intensidade mata.


tanto caio às gargalhadas,


como construo um mar de lágrimas,


arrebento o coração,


entrego a alma.
sem tostão.


falta me o empurrão.


sigo arrastado,


suporto o mundo nas costas


e dou os braços à solidão .


peso de toda a decepção.


sigo alienado,


sem olhar o objetivo do ideal,


admirando o inútil


e convivendo com a carência


...às vezes.


ando sozinho,


sem pressa,


olho para dentro,


ouço os meus próprios problemas,


controversos, procurando soluções


...às vezes.


a amizade.


é só saudade.


desconforto.


o contato com o colo dela


ou o ombro dela.


estranha companhia.


queria sentir me seguro e calmo


...às vezes.


talvez seja o amor que me falta.


mas como confiar no acaso?