confiar no acaso




queria palavras
para fazer explodir o infinito.


não sinto a luz.


os sentidos faltam,


não permitindo o beijo


na cor das folhas caídas deste outono.


não sinto doce há tanto tempo...


falta razão.


sinto a loucura,


tateio a vida,


tropeço em erros,


desfaço sonhos


e escorrego em ilusões


...às vezes.


a sensibilidade não me foge


mas me queimo


com ferro quente


apanho rosas
arranhando os espinhos.


um dia furo e sigo.
...erro.


sei, a minha intensidade mata.


tanto caio às gargalhadas,


como construo um mar de lágrimas,


arrebento o coração,


entrego a alma.
sem tostão.


falta me o empurrão.


sigo arrastado,


suporto o mundo nas costas


e dou os braços à solidão .


peso de toda a decepção.


sigo alienado,


sem olhar o objetivo do ideal,


admirando o inútil


e convivendo com a carência


...às vezes.


ando sozinho,


sem pressa,


olho para dentro,


ouço os meus próprios problemas,


controversos, procurando soluções


...às vezes.


a amizade.


é só saudade.


desconforto.


o contato com o colo dela


ou o ombro dela.


estranha companhia.


queria sentir me seguro e calmo


...às vezes.


talvez seja o amor que me falta.


mas como confiar no acaso?

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