De um lado para o outro
suspirava palavras
que não conseguia dizer
elas vinham de assalto
e de mim se faziam roubadas,
como a água que se perde
entre os dedos de quem quer agarrar.
Além de mim, transparente se fazia,
via tudo que murmurava no meu peito
um coração inquieto,
um amor em silêncio,
um beijo interminável,
um momento oportuno,
sei lá, tudo silenciava…
essas paredes,
que barreira é essa?
Mera conveniência…
Não fosse o último silêncio,
me faria onda sua,
e nas indas e vindas,
beijaria a tua alma
sempre perdida
na ilusão do doce mar.
Pois então cala-te,
não fale mais no meu peito,
sinto ódio,
raiva de ti que não existe,
que bifurca o meu destino
toda vez que estou diante
de um longo horizonte…
estou cansado, estou com sede;
por favor entenda isso
o meu silêncio é transparente!

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