Por mais que a vida nos prenda com força eu quero o incerto, preciso de perder todos os planos que cuidadosamente defino dia após dia. Quero acordar e sentir que não encontro rumo, pois alguém espontaneamente retirou-me tudo aquilo a que tenho direito sem se preocupar com o meu sentir.
Eu sei que sou um simples mortal, onde percorro cada recanto ausente de lugares, vazio de olhares, perdido de sentidos, cheios do incerto... Quero pôr-me à prova e sentir todo o prazer que o improvável me proporcionará. Quero arriscar no pequeno espaço onde o erro é fatal, quero demonstrar a minha capacidade de resposta ao incerto e improvável.
Seria fantástico acordar no escuro e sentir uma cegueira penetrar em mim, sentir a fina linha que delicadamente sustenta a minha pessoa prestes a rebentar e mesmo assim avançar rumo ao incerto...
Quero trocar o certo pelo incerto, o seguro pelo inseguro, quero viver a rotina deslocada que paralelamente me acompanha sem nunca ter ousado invadir o seu espaço. Quero enfrentar de frente essa vida que nos prende e impede de avançar, quero sentir-me único, original, inovador para mais tarde sentires a minha necessidade.

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