dádiva


Adoro o modo como com as tuas singelas e delicadas mãos,

Rasgas o meu peito,

Metes a cabeça dentro,

Com o olhar curioso,

De quem procura o tesouro da sua vida sem mapa,

Confiando no seu olfato, paladar e tato.





Adoro o modo como te embrulhas na minha voz,

Ri, chora, grita e adormece com um sorriso,

De quem recebeu a dose profiláctica de ternura,

Num timbre educado pela mão férrea de uns suspiros enternecedores.





Quando as pálpebras caem e o corpo descansa,

O cérebro cria e recria os sonhos que de dia estão encarcerados,

Pelas mãos de quem vive da ética e bons costumes.





Quando o dia for noite, eu serei o vento que oferece a brisa,

De uma prol finalmente feliz, porque até os punhos mais fechados se abrem,





Determinados a ecumenicamente nos levarem ao altar.

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