
Caminho por entre os teus rasgos de raiva.
Observo, pedaços do meu coração, a ladrilhar o trilho até ao teu
poço de ternura.
Todas as palavras que se evadem do meu coração,
São recebidas pelas tuas mãos tesoura.
A cada investida das tuas unhas no meu peito oculto, goteja mel.
Sou leito contaminado?
Por favor!!!!!
Ajuda-me!!!!
O que há de errado com a minha alma??!!
Todas as noites me fazes chorar pétalas negras,
Todas as manhãs me despertas e enxugas com rosas encarnadas.
Deixa-me cravar as pontas afiadas dos meus dentes,
Deixa-me sugar-te toda a fúria e devolvê-la, inclusa nos meus olhos, a tua serena almofada.
Não sei o que é estar condenado à eterna escuridão!
Mas sei o que é, o perene sentir-te, sem nunca te ter contemplado.
O êxtase de te amar, cala as lágrimas da saudade, do sonho vaticinado.
Toda a ternura que escorre dos meus dedos, foi criada por ti,
bem no interior do meu coração.
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